Madblush é um artista gaucho e tem ganhado destaque por fazer parte do fenômeno que está crescendo no Brasil chamado MPBTrans

A era dos LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) invadirem o cenário POP chegou, claro que já existiram vários cantores e cantoras nesse cenário musical, porém, nesse momento há uma ascensão, são vários artistas com uma pegada queer chegando e mostrando que a música também pode empoderar aqueles que foram por muito tempo oprimidos pela sociedade.
madblushMadblush nasceu em Porto Alegre e começou a cantar em 2007, quando lançou o single “I wanna be real”. Logo após, lançou as próprias músicas, além de atuar como DJ e performar em festas GLS e alternativas.  Madblush já apresentou-se em várias cidades brasileiras como Porto Alegre, São Paulo e Curitiba, ele também teve apresentações no exterior fez turnê em Montevideo e Punta del Este, no Uruguai. É considerado um dos nomes mais expressivos da geração tombamento e do movimento MPBTrans – termos usados para artistas que expressam a diversidade de gênero no mundo musical.
“Eu tenho artistas que eu gosto muito obviamente Ney Matogrosso que é incrível, Elza Soares, Bethânia, Caetano, Gal, Pitty, Secos e Molhados, e Rita Lee, eu tenho uma ligação muito forte com cantores que tem uma voz e uma personalidade forte, quem vê o meu trabalho vê um pouco disso. Fernanda Abreu é uma grande inspiração, meu trabalho tem algumas coisas da Fernanda Abreu, eu me criei escutando Fernanda Abreu e adoro a mistura musical que ela faz. Entre os cantores mais atuais gosto das Bahias e a cozinha mineira acho o trabalho delas incrível, das letras e da energia da Linn da Quebra, e de Flora Matos.” Disse a Madblush em entrevista exclusiva para o site A Liga Gay.
O termo MPBTrans tem sido usado por grandes veículos de comunicação brasileiros, e fazem parte desse movimento alguns nomes como Liniker, Johnny Hooker, Pabllo Vittar, Valéria Houston, Filipe Sampaio, Banda Uó, Deena Love, Rico Dalasam, Verônica Decide Morrer, MC Linn Da Quebrada, entre outros. O termo MPBTrans não quer dizer que todos os artistas são travestis ou transexuais, mas da mistura musical com letras sobre sexualidade, o termo surgiu a partir de uma matéria escrita pelo Deputado Jean Wyllys que chamou esse novo movimento de MPBTrans.
Como artista que atua com a pauta LGBT, MadBlush se posiciona referente a constante LGBTfobia enfrentada em nosso país, fala sobre a atual situação com o crescimento do fundamentalismo religioso, o artista disse que vivenciou ataques pela internet durante a polêmica do “Queer Museu”, que ele participou dos protestos.
“A LGBTfobia está mais presente do que nunca, se a gente parar para analisar, tudo o que tem acontecido no país. Eu estava em Porto Alegre quando deu toda a confusão com exposição ‘Queer Museu’, eu fui no protesto, eu vi a entrevista do MBL, que foi uma coisa assustadora de um certo ponto, são absurdos que acontecem e a gente fica passado. Naquele momento dos protestos eu sofri pela primeira vez agressões muito fortes pela internet, porque eu me manifestei a favor e me ofereci para cantar”, conta Madblush
No mês passado, Madblush participou do Queer Lisboa 21 – Festival Internacional de Cinema Queer, o clipe Brasil, com direção de Thiago Carvalho, foi um dos destaques da mostra na capital portuguesa. Este ano, o artista também ganhou mais um prêmio no Gay Music Chart Awards – premiação do canal francês que acompanha a produção musical do gênero em todo o mundo. O artista gaúcho venceu na categoria melhor clipe brasileiro de 2016 com Lovelovelove.

capa my radio madblushRecentemente ele lançou “My Radio” seu novo videoclipe que traz uma batida contagiante trazendo referências de vários artistas do mundo pop, como Prince, Chic, James Brown, Marc Ronson – Uptown Funk ft. Bruno Mars.  O clipe foi produzido e dirigido por Alessandro Avila e Chris Peterson e já está disponível na internet.
O vídeo foi gravado em estúdio e várias locações em Porto Alegre, a produção mescla vários temas – super pop, urbano e glitter. O colorido traduz a procura pelo som perfeito em meio à diversidade. Madblush invade a rua, uma rádio e a cozinha de uma drag queen – Cassandra Calabouço, que faz  uma participação especial – mostrando a mistura de gêneros bem característica do trabalho do artista.
Outro single de sucesso de Madblush foi o “Não me diga o que fazer” que aborda a questão dos rótulos e das nomenclaturas impostas pela sociedade e até pelo próprio movimento LGBT, que define letras para as orientações sexuais e as identidades de gênero e acabam mais segregando do que unindo.
“Eu acho complexa toda a questão de gênero, ao mesmo tempo que é válida por separar todas as nomenclaturas, as vezes chega num momento que separa tanto, que tem uma separação literal da coisa. Ao invés da gente se unir contra uma falta de liberdade ou por uma maior liberdade, a gente se fecha dentro do próprio mundo. No meu caso especificamente, eu já tive várias dúvidas em relação a gênero, mas eu cheguei num ponto da vida, onde o maior fator para mim é a liberdade de expressão. Se hoje eu me sinto feminino e hoje eu quero andar maquiado, e  quero parecer mais feminino, eu vou parecer feminino. Se eu quiser aparecer de barba, mais masculino eu vou aparecer, por isso surgiu a letra da música ‘Não sou homem, nem mulher, sou o que eu quiser’.

 

Para finalizar Madblush deixou uma mensagem para todos os LGBTs que sofrem com o preconceito e com a discriminação. Pedindo para que não fiquem calados que saiam para a luta, pois calar-se referente aos constantes retrocessos que estamos vivenciando não é a resposta.
“As pessoas que sofrem preconceito elas não podem baixar a cabeça, os protestos tem que ser mais diretos e um pouco mais incisivos, eu acho que não tem como ser muito ‘bonzinho’, a gente está lidando com um certo tipo de pessoa que não é boazinha. Então a gente não pode ser tão delicado, a gente não pode deixar passar uma agressão pela internet, temos que denunciar.  Um dos grandes problemas é quando as pessoas ‘deixam pra lá’ demais as coisas, ou dizem: ‘Ah não adianta fazer nada’, eu ouvi isso de muitos LGBTs em Porto Alegre e em São Paulo. Como assim não vai mudar em nada? Vai mudar sim. Por que eu acho que os fundamentalistas, os religiosos fundamentalistas, os preconceituosos, essa direita psicótica que tem no Brasil, ela não pensa dessa maneira, ela vai ficar batendo na tecla de tudo que ela acha que é o correto para distorcer as coisas.” Finaliza Madblush.
Abaixo confira o clipe “Brasil” do artista destaque no Queer Lisboa 21:

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