A importância do comercial com Beijo Gay na TV

0

O assunto mais falado essa semana é o comercial do Movimento do Espírito Lilás de João Pessoa-PB, que de uma forma simples e bonita criou junto a agencia TAGZAG uma campanha no estilo comercial de margarina, mostrando um casal gay feliz, com a mensagem de que o amor une e a homofobia não. O beijo gay que acontece na cena e por vezes até passa despercebido, foi taxado por fundamentalistas como anormal.

Comentários do tipo “tem crianças vendo, minha filha de 5 anos viu e eu não soube como explicar aquilo” surgiram. Porém, a campanha em nada difere do posicionamento heteronormativo que vem sendo divulgado durante vários anos, apenas exerce o direito de mostrar o que para as famílias LGBT também é normal, como por exemplo afeto entre um casal.

Comercial de Margarina e Pasta de Dente

Durante todos estes anos as lésbicas, os gays, os e as bissexuais, as travestis e as pessoas transexuais (LGBT) são obrigadas a verem diariamente comerciais de margarina, cerveja e pasta de dente que mostram beijos sensuais entre casais heterossexuais, mostrando a mulher como um mero objeto sexual, e que incita a desvalorização da mulher. E ninguém nunca reclamou em como explicar isso para os seus filhos, e muito menos os LGBT se tornaram  heterossexuais por assistirem estes comerciais, mas em comentários em rede social , por causa do vídeo colocam que não deveria ter beijo nem hétero e nem gay na televisão. Mas só agora, que o movimento LGBT coloca um beijo gay na TV, esse discurso é dito. Deixando claro o preconceito e a discriminação existente na sociedade. Abaixo confiram um dos comerciais que passam um beijo heterossexual:

A Sociedade ainda não está preparada

O discurso de que a sociedade ainda não está preparada para ver um beijo gay na televisão é ultrapassado, no Brasil com a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo as famílias começaram a apoiar mais os seus parentes LGBT. Já é visto na internet casamentos belíssimos de LGBT com muitos familiares, com muita emoção, além disso, ainda podemos ver os avanços que os LGBT vem tendo em sua luta como delegacia de crimes homofóbicos, ambulatório para travestis e transexuais, Centro de Referência LGBT dentre tantos outros direitos que vem conseguindo exercer e mostrando a sociedade que são humanos e merecem respeito. Mas digamos que a sociedade realmente ainda não está preparada, quando essa estará? Quando poderemos ver dois gays se beijando em espaços públicos como os heterossexuais fazem? A resposta seria nunca, se dependesse apenas da  vontade das pessoas preconceituosas, mas com o avanço das políticas públicas e os comerciais de combate a homofobia e transfobia que vem sendo divulgado pelas ONGs e órgãos da gestão pública cada dia mais a sociedade está ficando menos homofóbica.

Comercial não mostra a realidade

Uma vereadora fundamentalista do município de João Pessoa, que não merece nem ser citada nessa matéria disse que a campanha vinculada na televisão não condiz com a realidade dos LGBT. Nesse ponto eu concordo com ela, famílias também tem discussões e brigas, mas o Movimento do Espírito Lilás fez bem em mostrar que as famílias LGBT como qualquer outra também tem amor e companheirismo.

Exemplos de casais de relação duradoura não faltam, acabando com o mito de que todos os homossexuais são promíscuos e/ou infiéis. O que vale lembrar é que a “promiscuidade” e a infidelidade não é um fato isolado apenas nas relações homossexuais ou que ocorre apenas com as pessoas LGBT, também é muito comum vermos casos de infidelidade e de promiscuidade em relações heterossexuais, o que ocorre é que devido ao preconceito existente na sociedade essa imagem foi vinculada apenas as pessoas LGBT, e o que o MEL quer passar é que não devemos mais estimular esse tipo de preconceito contra os/as LGBT, pois a questão da “promiscuidade” e da infidelidade trata-se de uma questão humana e não apenas de um segmento, raça e/ou gênero.

Apartheid Gay

Na verdade certos cidadãos que reclamam do comercial com beijo gay e dizem que os gays querem influenciar as outras pessoas a serem gays, seguem o exemplo daqueles que reclamaram contra o movimento de mulheres em busca de direitos, dos negros em busca de respeito e combate ao racismo e até mesmo a luta contra o Bullying, eles esquecem que em nenhum momento as famílias de LGBT os influenciou para que os mesmos sentissem sentimentos por pessoas do mesmo sexo, e que todos estes anos é visto famílias heterossexuais, em todos os lugares, mas nem por isso foram influenciados a serem heterossexuais, e muito menos deixaram de ser quem são, gays, lésbicas, bissexuais, travesti e transexuais. O real objetivo deste tipo de pessoas é de separar os heterossexuais de homossexuais, como se eles não fossem seres humanos, e que merecem viver excluídos do resto da sociedade, sem direito a dignidade humana, eles querem que voltem aos armários, e que se escondam do mundo. A televisão não é só para heterossexuais, não são eles os únicos a assistir TV, a dar audiência para as emissoras, e devemos acabar com esse preconceito de que os gays não tem os mesmos direitos na TV ou em qualquer outro lugar como tem os heterossexuais, o direito deve ser igual para todos e todas independente de sexualidade, religião ou etnia.

Na África do Sul os brancos diziam exatamente a mesma coisa, no sentido de que os negros tinham que estar reclusos e confinados aos seus territórios, os quais deveriam ser devidamente separados dos brancos. Havia uma calçada para brancos, outra para negros. Restaurantes para brancos, outros para negros. Televisão para brancos e apenas para brancos, e se depender de algumas pessoas preconceituosas, será dessa mesma forma com LGBT, para alguns homofóbicos os gays tem que permanecer reclusos e confinados dentro de seus quartos caso queiram se beijar, pois somente o heterossexual deve ter vez na televisão, e aí muitas destas pessoas homofóbicas que pensam que jamais terão filhos LGBT, (e talvez por isso tenham esse posicionamento) irão ver seus filhos excluídos da sociedade, e talvez até mortos, isso tudo se deixarmos que eles continuem marginalizando os LGBT, tratando como a “doença” da humanidade, quando na verdade a verdadeira doença é o preconceito.

Abaixo assistam o vídeo “O amor une, a homofobia não’ do MEL:

Comentários

Comentários

Compartilhar

Sobre o Autor

Nós somos um website especializado em conteúdo voltado para LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais). Com novidades sobre famosos, músicas e notícias em geral.

Deixe uma resposta

Pin It on Pinterest