Como tratar um homem que assume sua bissexualidade

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Os bissexuais sofrem bastante preconceito, quando estão em um ambiente heterossexuais são vistos como homossexuais, quando estão no meio LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) são vistos como heterossexuais se estiverem com alguém do sexo oposto ou homossexual mal resolvido se estiverem se relacionando com alguém do mesmo sexo. O pior é quando se relacionam com ambos os sexos e são vistos em ambos espaços como devasso e errado, baseado em uma higienização e normatividade da monogamia existente na sociedade.

Nesse texto abordaremos a complexidade de um homem bissexual se assumir, e como devemos tratar um bissexual que esteja começando a aceitar a sua orientação sexual. É uma realidade que muitos gays e lésbicas se assumem bissexuais buscando uma falsa aceitação, isso se chama período transitório. Há casos de transexuais que se assumem gays, de transexuais que antes eram drag queens, de lésbicas cis que se assumem homem trans heterossexuais e depois voltam atrás e tantos outros casos. Também é assim com os gays e lésbicas que se assumem bissexuais, porém, esses não são aceitos na comunidade.

Não concordar que certas pessoas sejam bissexuais é equivocado, cada pessoa sabe o momento que está vivendo, negar que uma pessoa seja bissexual, é como alguns pais homofóbicos fazem com seus filhos gays ao tentarem curá-los ou negarem ao máximo a sua orientação sexual.  Um gay ou bissexual que está passando por essa fase de aceitação se sente ainda mais negado quando não é aceito no meio LGBT, isso acaba complicando ainda mais a vida dele. Achar que tem gays que se passam por bissexuais não lhe dá o direito de interferir no posicionamento de quem realmente é bissexual.

Regras de como tratar um bissexual em período de aceitação:

Acredite – Como você se sentiria se as pessoas negassem a sua orientação sexual o tempo todo e como você ficaria se ao se assumir algum amigo dissesse que você é algo que você não é? A nossa sexualidade é uma parte fundamental em nossas vidas, é o que define quem somos, o seu amigo pode se assumir gay depois, mas há uma grande chance que ele realmente seja um bissexual. O dano que você está causando ao questionar a sua sexualidade só empurra o seu amigo cada vez mais para dentro do armário.

Não Peça Provas – Um grande problema na vida dos bissexuais é a prova constante que todos pedem, se está com um homem tem que estar com uma mulher, se está com uma mulher tem que estar com um homem. Vários questionamentos do tipo “Só vi você namorar homens, cadê a sua bissexualidade?” são muito frequentes na vida de bissexuais. Atos como esses caracterizam uma bifobia psicológica, fazendo com que o bissexual fique sempre tendo que buscar pelo sexo com ambos os gêneros.

É preciso entender que existem vários tipos de bissexuais, os monogâmicos, os poliamor, os que só irão se relacionar com homens mesmo sentindo atrações por mulheres, os que só vão se relacionar com mulheres mesmo sentindo atrações por homens. Não é você que tem que definir qual desses ele é.

Não diga “eu te avisei” – Se seu amigo realmente for gay e se assumir após ter dito que era bissexual, mesmo você tendo em sua mente que ele sempre foi gay, não diga “eu te avisei”. Quando você diz isso, você contribui para a criação de um estigma, em que a bissexualidade é um “pit stop” para que as pessoas se assumam gays ou lésbicas e isso não é nada bom.

Nem todos são iguais – Mesmo que todos os seus amigos que se diziam bissexuais se assumam posteriormente gays não quer dizer que todos os homens que se identificam como bissexuais na verdade são gays. Se os bissexuais fossem 1% da população global de homens (uma suposição), mesmo assim, haveriam milhões de bissexuais em todo o mundo.

Seguindo essas 4 regras você se tornará uma pessoa que respeita a sexualidade do seu amigo seja ele bissexual ou gay em transição, essas dicas também ajudam a se manter uma pessoa menos bifóbica e que entende o que passa na vida de vários bissexuais espalhados por todo o mundo.

 

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Sobre o Autor

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), assessor de Mídias Sociais em diversas empresas, crítico, político e ativista.

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