Bissexualidade em pauta, primeiro crime contra LGBT em 2015

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Por muito tempo o segmento de bissexuais foi esquecido no movimento LGT (Lésbicas, Gays, Travestis e Transexuais) do Brasil, algo que já aconteceu também com o segmento de travestis e transexuais. Porém, os bissexuais estão há bastante tempo lutando em conjunto com o movimento pelo combate a discriminação contra à homofobia, que agregou bastante na luta contra a lesbofobia e agora também defende a transfobia. Mas e a Bifobia, é uma luta apenas do movimento de bissexuais?

Taxados diversas vezes de “bichas mal resolvidas” em livros de renomados escritores do segmento LGBT, os bissexuais seguem uma luta solitária, onde apoiam os diversos segmentos e sentem falta do apoio à sua luta. A bifobia existe de uma forma velada no movimento do Brasil todo, as piadas internas perseguem os bissexuais e tornam suas vidas mais complexas tais como: “Sai de cima do muro”, “você gosta mais de homem ou de mulher?”, “Você não é bissexual, nunca vi você com uma homem/mulher” e tantas outras que entristecem os militantes bissexuais.

A bifobia não existe apenas nos movimentos sociais, nas ruas não é “natural” uma pessoa bissexual beijar um homem e uma mulher ao mesmo tempo, apesar de estar vivendo a sua vida como quer, para muitos isso ainda é uma falta de respeito. A vida de um bissexual é bastante complexa, se um bissexual está com um homem ele automaticamente é visto como gay pela sociedade e taxado sempre como homossexual apesar de também se relacionar com pessoas do sexo oposto, já a mulher bissexual pode também ter esse problema, mas as vezes é visto como uma experiência, o machismo ainda vê a relação como algo passageiro, que depois ela vai se “ajeitar”.

Os bissexuais clamam por respeito em diversos segmentos dos movimentos sociais, e ainda assim são vistos como “aqueles que não se devem falar”,  parte disso é visto pelos demais movimentos como uma falta de desorganização do movimento de bissexuais, mas por vezes os bissexuais são oprimidos dentro desses movimentos, acoados eles abandonam o movimento LGBT e param de militar pela causa.

O primeiro crime contra uma pessoa LGBT no Brasil em 2015 foi de um bissexual, todos os sites noticiaram que a polícia está investigando que pode ser um crime de homofobia, isso nem podemos discutir tendo em vista que segundo testemunhas os assassinos gritavam “O viadinho vai morrer”, enquanto o jovem Júlio César da Silva pedia socorro e era perseguido em sua moto.

Os crimes contra pessoas assumidamente bissexuais também são registrados pelo site “quem a homofobia matou hoje”, e pelas estatísticas e registros do site é possível ver que os bissexuais também sofrem com a discriminação existente no país e não deviam ficar calados quando começam a alegar que são pessoas mal resolvidas e que deviam se assumir gays ou heterossexuais. O segmento bissexual está esquecido, mas devem levantar a sua bandeira com as cores azul, lilás e rosa e ir para a luta.

A Bifobia é um crime?

Quando questionado se a bifobia é um crime Adriano Silva representante do Movimento de Bissexuais (MOVBI) com sede em João Pessoa-PB, disse que sim, tendo em vista que não é apenas o crime de violência física, pessoas bissexuais também sofrem agressões verbais e por vezes até agressões físicas advindas de pessoas homossexuais que não aceitam a forma que se relacionam.

Quando um gay é xingado de ‘bicha nojenta’ ou ‘viadinho safado’ e ele não se sente bem com aquilo ele está sendo vítima de um crime verbal, passível de processo por injúria e difamação. O mesmo ocorre com as pessoas bissexuais, recebem vários xingamentos e devem sim processar seus agressores. Além disso, a pessoa bissexual pode sofrer uma agressão por estar se relacionando afetivamente com um homem e uma mulher ao mesmo tempo, e pode não ser homofobia, pois até alguns homossexuais acham ‘errada’ essa prática.” respondeu Adriano Silva Rodriguês presidente do MovBi – Movimento de Bissexuais.

Eu sou bissexual

Eu sou bissexual

“Como todos do movimento ou mesmo da sociedade sempre falam, nunca vamos saber o que é sofrer o preconceito, pois podemos passar despercebido pelo modo como nos relacionamos com mulheres, por outro lado, podemos ver e ouvir comentários pejorativos contra nossa identidade sexual o que mais dói é ouvir isso do próprio movimento que diz lutar por direitos humanos, eu me pergunto que direito é esse que tanto eles falam que lutam? Quantos bissexuais tem suas falas e suas dores abafadas por meros preconceito do movimento lgt?” questiona Adriano.

Abaixo confiram uma entrevista de Dani durante a Marcha das Mulheres Lésbicas e Bissexuais de São Paulo, ela é uma bissexual que foi buscar ajuda dos movimentos sociais no exterior por sofrer discriminação nos movimentos do Brasil.

Assistam também um vídeo sobre invisibilidade bissexual e as relações não-monogâmicas.

Ao que tudo indica 2015 é o ano das pessoas bissexuais, com movimento social organizado, participação em conferências regionais e nacional, com certeza isso trará um destaque para o segmento. Avante bissexuais do Brasil, vamos por um fim na bifobia e apoiar as lutas contra a discriminação contra pessoas LGBT como sempre fizeram!

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Sobre o Autor

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), assessor de Mídias Sociais em diversas empresas, crítico, político e ativista.

1 comentário

  1. gostei muito dessa materia a primeira sobre bissexualidade só para lembrar no dia 28 de julho de 1969 sim os bissexuais estavam presente no bar de STONEWALL INN.

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