CHOKI: Se a moda pega

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Um amigo viu o vídeo nas mídias sociais e exclamou: – se a moda pega? Se a moda pega eu não sei, mas já fico imaginando um baile funk inteiro, no Rio de Janeiro, e aqui, ali, acolá, com centenas de jovens rapazes magros, prioritariamente negros, “ou quase negros de tão pobres”, tatuados, barrigas número zero, com cabelos oxigenados, moicanos, e calças revelando sete dedos da cueca comprada em liquidação e também “de marca” (que eles são ecléticos e exigentes) com cores raras, que nunca sei onde eles compram (como conseguem as cuecas marrons e laranjas?), dançando no meio do salão enquanto as meninas aguardam atônitas o que pode vir a sobrar para elas dessa excitação. Imagino a sexualidade se liberando e se redefinindo em novos rótulos que abram as portas da liberdade sem o risco da violência. O que antes poderia ser homossexualidade sendo redefinido com termos como metrossexual, bissexual, pansexual, funksexual(?) e outros mais aceitáveis. E os desavisados pensando que na verdade pouco importa.

Dane-se! Pouco importa mesmo: trata-se apenas de variações da homossexualidade e heterossexualidade reduzindo as fronteiras. E cada um e cada uma, talvez, expressando a medida do homo ou hetero-desejo em sua vida e pensando: essa é a medida do meu desejo, da minha identidade, da minha prática, da minha expressão – e é apenas diferente da do outro, ou da outra.
Seria bom que fosse assim, que as pessoas que vivem e as que acreditam que aceitam as expressões da sexualidade que escapam das normas de gênero e heteronormatividade não criassem novas regras e novas medidas para determinar o que é aceitável, a partir de seu próprio limite.
O bom seria que a liberdade de ser o que se é parasse de ser policiada, proibida, acusada, punida. E que os rótulos se confundissem tanto a ponto de os que disparam contra a homossexualidade, as transexualidades, a transgressões de gênero, as variações de ser e viver a sexualidade, o afeto, o desejo, o amor, não soubessem mais para onde dirigir suas restrições, suas ofensas, seus xingamentos, suas balas e facas.
Lendo os comentários sobre o vídeo descobri que pode se tratar de uma variação ou inovação sobre uma “dança tipica do litoral da Colômbia mais precisamente de Necoclí, denominada de CHOKI”. E quem quiser saber mais pode ver alguns videos sobre CHOKI  clique aqui e veja a dança ser praticada de maneiras distintas, por diferentes gerações, grupos e pares em ambientes e contextos bem distintos. Quem dera houvesse um lugar seguro para a diversidade.

Luciel Araújo

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Sobre o Autor

Myke Fonseca

Ativista LGBT, Vice presidente do MEL (Movimento do Espírito Lilás – Movimento Gay de João Pessoa) – Formado em Marketing, atua nas áreas de Design Gráfico, Web Design e Assessoria de Marketing, Empreendedor e Cooproprietário dos sites: http://www.aligagay.com e http://www.portalinboox.com

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