As Dandaras que ainda vivem e as Dandaras que partiram

0

Um crime chocou o país, em um vídeo gravado de um celular aparecem diversos jovens assassinando uma transexual, o que parece ser algo inimaginável nos tempos modernos em que vivemos. Mas é uma realidade que aterroriza a população de travestis e transexuais do Brasil. O nome da transexual era Dandara dos Santos, que tinha 42 anos de idade, e por incrível que pareça ela sobreviveu bastante tempo no país que mais mata pessoas transexuais no mundo.

[O nome Dandara vem da história da negra guerreira histórica, esposa de Zumbi dos Palmares]

A expectativa de vida de uma transexual no Brasil é de 35 anos, já a de qualquer outro brasileiro é de 74,9 anos de idade, sendo assim, Dandara ultrapassou as expectativas de vida para uma transexual, era uma sobrevivente que acabou morrendo de uma forma tão trágica. A morte de Dandara aconteceu no dia 15 de fevereiro, os familiares lembram dela subindo em uma moto dando tchau e sorrindo.

dandara

Francisca Ferreira de Vasconcelos, 75, mostra foto 3×4 da filha Dandara.

Segundo uma matéria da Revista Arco-íris traçando o perfil de Dandara: Ela nasceu Clenilson, aos 18 anos tornou-se mulher trans, assumindo o seu gênero e nunca mais deixou de vestir roupa feminina. Foi aos 25 anos para São Paulo, onde morou por 10 anos, segundo sua mãe Francisca Ferreira de Vasconcelos, os indícios é que sofria transfobia diariamente, não contava isso dentro de casa, mas era nítido o sofrimento, por isso saiu do Estado. Ao voltar descobriu ter HIV.

Dandara tinha dois sonhos: Montar o seu salão de beleza e comprar um carro.

Os amigos juntos pagaram o caixão, o ônibus para transportar os familiares e conhecidos para o velório e as fotos que ficaram em cima do caixão, já que não poderia ser aberto. Essa é a realidade de muitas transexuais assassinadas em nosso país, por ódio e discriminação, o preconceito das pessoas só aumentam e isso tem que acabar.

“Pra mim, vingança é só Deus. Se ele achar que a pessoa merece, Ele se vinga por ele e por mim” disse Dona Francisca, mãe de Dandara.

Só esse ano já tivemos vários casos de transfobia, abaixo segue alguns deles:

Emanuelle Muniz – Sequestrada e Assassinada em Anápolis-GO, o corpo da jovem foi achado pela própria mãe jogada e nua, ao lado da BR-060. “O jeito, a situação da milha filha. Jogada feito lixo. Ela não é lixo” disse a mãe da vítima.

Rubi – Uma discussão amorosa, sobre o envolvimento de um casal com a travesti, o jovem que estava tendo relações matou sua namorada e a travesti em Luziânia-GO, segundo informações Rubi morava em Brasília-DF.

Michelly Garcia – Dois motociclistas foram até a residência da transexual e alvejaram vários tiros, um deles acertou em sua cabeça, a jovem de 25 anos morreu a caminho do hospital, o crime aconteceu em Pelotas-RS.

Camila – Espancada até a morte por mais de 10 jovens no Jardim Catarina em São Gonçalo-RJ, a jovem de 22 anos só não foi morta no local, pois um pastor viu a cena e implorou pela vida de Camila. Encaminhada para um pronto socorro da região, sofreu negligência por parte dos funcionários do local, teve que ser levado as pressas para outro hospital onde acabou falecendo.

Lorrane – A travesti foi assassinada com um tiro na cabeça e outro nas nádegas em um dos maiores cartões postais de São Luiz-MA, a praça Pedro II.

Os casos acima são apenas alguns que ganharam destaque esse ano, serve para mostrar que transexuais e travestis como Dandara morrem quase todo dia no Brasil, alguns casos ganham repercussão e outros não. São casos de travestis queimadas em praça pública, crucificadas, amarradas e jogadas em rios, estupradas e asfixiadas, empaladas e outras tantas mortes brutais. A realidade é que vivemos em um país que não respeita a sua pluralidade, assassinando aqueles que fogem da sua realidade, sem uma lei que puna severamente tais crimes.

Uma onda de conservadorismo vem ganhando o país, e a cada dia vemos mais e mais pessoas LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) aparecendo em manchetes mortos e violentados. Temos que combater isso juntos, vetando piadas transfóbicas e homofóbicas, indagando comentários opressores de sexualidade, denunciando crimes de ódio, ligando para o Disque 100 e fazendo reclamações sobre a situação que vivemos. Precisamos de uma lei que ajude a população LGBT a sobreviver a esse extermínio cotidiano.

Viva Dandara, viva Lorrane, Viva todas as travestis e transexuais e que permaneçam assim: VIVAS.

 

Willamys Guthyers

 

 

Comentários

Comentários

Compartilhar

Sobre o Autor

Nós somos um website especializado em conteúdo voltado para LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais). Com novidades sobre famosos, músicas e notícias em geral.

Deixe uma resposta

Pin It on Pinterest