Estréia espetáculo: O Jornal – Um enredo sobre identidade, coragem e amor 

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Montagem chega ao Rio de Janeiro no dia 03 de novembro e propõe reflexões urgentes sobre a busca pela identidade e o amor num mundo que cerceia a liberdade e a individualidade.

Você morreria para ser quem é? Inspirado em fatos reais, este é o pano de fundo de O Jornal: após a morte do pai, três irmãos – Joe, Dembe e Wummie – precisam reconstruir suas vidas. Joe se prepara para ser pastor de sua igreja enquanto Dembe e Wummie estudam para progredir diante da desigualdade. Mas o destino seria fatal: Dembe conhece Sam, um garoto branco irlandês radicado na Uganda e acabam se apaixonando. Condenados pela comunidade cristã evangélica e pela lei, eles terão de optar em viverem castrados ou com a possibilidade de acabar morrendo por amor.

O Jornal é, portanto, uma alusão ao periódico ugandense The Rolling Stone que, em 2010, publicou uma lista com 100 nomes homossexuais e incitou seus leitores a enforcar os mencionados. O fato seria repetido mais tarde em outra publicação, de 2014, o Red Pepper, que lançou nova matéria com 200 homossexuais do país africano – isto somente um dia após a revogação da lei anti-gay que permitia que cidadãos denunciassem gays sob pena de também serem punidos pela “omissão”. Vale dizer que embora a dita lei tenha caído, ainda hoje a homossexualidade continua a ser crime punível com prisão em Uganda.

Afinal, qual a diferença entre Uganda e Brasil que, apesar de não condenar judicialmente homossexuais, ainda é o País que mais os mata no mundo? O que separa a Uganda de tantas outras nações que sentenciam seus filhos a viverem silenciados e diferenciam pessoas pela cor de sua pele? Mais que um conflito de gênero, religião e raça, O Jornal retrata a busca pela identidade, clama o amor e a igualdade. Nada mais contemporâneo.

Peça teatral tem direção de Lázaro Ramos e Kiko Mascarenhas

Informações adicionais:

Até onde você iria para ser quem você é? Você morreria por amor? Por que é tão difícil a busca da própria identidade em uma sociedade que nos priva da liberdade de ser e, claro, de amar livremente? Eis algumas das questões latentes que chegaram às mãos dos diretores Lázaro Ramos e Kiko Mascarenhas com O Jornal – The Rolling Stone, montagem que estreou, em 2015, em Londres, e rapidamente ganhou aplausos do público e da crítica especializada. Agora, o espetáculo aterrissa no Teatro Poeira, no Rio de Janeiro, a partir de 3 de novembro de 2017.

A urgência do tema veio ao encontro da inquietude da dupla Lázaro Ramos e Kiko Mascarenhas – amigos e parceiros de cena na série Mister Brau, da Rede Globo – que, comungando da paixão pela reflexão não se esquivaram de um projeto conjunto. O pontapé foi dado por meio do tradutor Diego Teza que apresentou a Kiko a tradução do script do dramaturgo britânico Chris Urch. Ao perceber o conteúdo latente e seus conflitos que colocam à prova o amor, a amizade e a fé – e ainda debate valores sociais, étnicos, religiosos e de gênero – Kiko comentou com Lázaro sobre a possibilidade de produzirem juntos a empreitada. Lázaro aceitou sem titubear. “Esta peça é uma missão e minha resposta para todos aqueles que são oprimidos e, em oposição a todos aqueles que em nome da ‘normalidade’ oprimem o amor”, resume Kiko. “Encontrar um roteiro que fale de uma realidade de Uganda mas ao mesmo tempo nos remete a tanto do que vivemos no Brasil é um privilégio. Acima de tudo O Jornal é uma peça que fala sobre amor”, conclui Lázaro.

Diante deste “grito de liberdade”, com recursos próprios, a dupla começou a buscar uma equipe e elenco comprometido com os mesmos valores que lhe impeliam. Para vencer a dificuldade de escalar atores negros que se encaixariam no perfil, Lázaro idealizou uma oficina que contou com apoio irrestrito da Rede Globo – que disponibilizou infraestrutura e mobilizou diversos profissionais para um processo de escolha de elenco criativo e único. O resultado foram cinco mil inscritos até se afunilar para 70 atores de sete estados diferentes do País. Na sequência, 15 dias intensos de aulas de dança e canto em jogos de improviso ministrados pela dupla de diretores com a ajuda essencial do coreógrafo Zebra e do preparador vocal Wladimir Pinheiro. No fim, cinco destes candidatos promissores integraram o elenco de seis atores que estreia O JornalAndré Luiz MirandaDanilo FerreiraHeloísa JorgeIndira NascimentoMarcella Gobatti e Marcos Guian.

Sobre os diretores e o autor:

Kiko Mascarenhas começou sua carreira em 1984 com a peça Os Meninos da Rua Paulo e, desde então, já contabiliza mais de 30 peças de teatro em seu currículo, com destaque para O Encontro Marcado, dirigido por Augusto Boal, Mephisto, com direção de José Wilker, Os Altruístas, comandado por Guilherme Weber, O Desaparecimento do Elefante sob direção de Monique Gardenberg e Michele Matalon, e O Zoológico de Vidro e O Camareiro, ambos com direção de Ulysses Cruz. Em 2004 assinou a adaptação, direção e produção do infantil Tistu, o Menino do Dedo Verde, sucesso de publico e crítica.

Lázaro Ramos realizou mais de 20 espetáculos com o Bando de Teatro Olodum de 1994 a 2002, entre eles; Sonhos de Uma Noite de VerãoÓ Pai Ó e Ópera dos 3 Vinténs. Após sair de Salvador, destaque para A MáquinaMamãe Não Pode Saber e o Método Grönholm, além de ter dirigido e escrito os infantis As PaparutasA Menina Edith e a Velha Sentada, bem como esteve à frente da direção dos adultos Campos de Batalha e Namíbia, Não. Em 2015, estreou O Topo da Montanha, montagem que segue em turnê pelo País e que o traz em dose dupla, sendo ele o diretor e protagonista da trama que levou mais de 100 mil pessoas ao teatro.

Chris Urch é o autor da peça e iniciou sua carreira estudando artes cênicas no Drama Centre, em Londres, tendo se graduado no programa para jovens autores do Royal Court. Por O Jornal – The Rolling Stone, recebeu o prêmio Bruntwood, em 2015, e mais seis indicações ao Prêmio Off West End, incluindo melhor texto inédito, melhor ator coadjuvante e uma nomeação ao Prêmio Evening Standart. Por esse roteiro tornou-se uma promessa da dramaturgia inglesa. Atualmente trabalha em um roteiro sobre o estilista Alexander McQueen, além de uma nova peça encomendada para o National Theatre de Londres.

Sobre o elenco

André Luiz Miranda (Joe), carioca, 30 anos, começou sua carreira aos 8 anos em publicidade e, aos 11 anos, estreou na televisão em Terra Nostra, da Rede Globo. Já integrou o elenco de 10 novelas – com destaque para Avenida Brasil –, dois longas e sete espetáculos, entre eles Capitães de Areia e O Grande Reciclador.

Danilo Ferreira (Dembe), nasceu em Salvador, 25 anos, e estreou no teatro ainda criança. Ganhou destaque nas novelas Geração BrasilA Regra do Jogo e A Lei do Amor. No teatro passou pelo Infantil Alice no País da Internet e integra o elenco do longa Pixinguinha, Um Homem Carinhoso, interpretando o sambista em sua fase jovem – o filme tem estreia prevista para 2018.

Heloísa Jorge (Mama), nasceu em Angola, 33 anos, e veio para o Brasil após o conflito civil de seu país natal. É graduada na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia, de Salvador, cidade em que integrou o elenco de peças como O Dia 14. Passou por musicais como O Fino no Samba e pelas obras globais Gabriela e A Lei do Amor. É ainda protagonista da novela angolana Jikulumessu.

Indira Nascimento (Wummie), paulistana, 29 anos. No teatro protagonizou Áurea, a Lei da Velha Senhora e participou do espetáculo A Serpente. É premiada por esquetes como Só Eles Sabem e pelo curta Mercadoria. Integra o elenco do longa metragem A Cidade Aqui Dentro, de Matias Mariani, em fase de produção.

Marcella Gobatti (Naome), 26 anos, é mineira, graduada em Letras e pós-graduada em artes cênicas. Entre seus destaques constam o monólogo Casca de NinguémHistórias Afro Brasileiras e O Pagador, além de ter atuado no curta metragem Quijaua, premiado no festival 72 horas.

Marcos Guian (Sam), 26 anos, é formado em artes cênicas e participou do espetáculo Relações Perigosas. Também integrou o elenco standin de diversas montagens, tais quais Fazendo História e O Auto da Compadecida. Sob direção de Delson Antunes, em 2017, integrou o elenco de A Peça do Lado.

Serviço:

Teatro Poeira: Rua São João Batista, 104, Botafogo, Rio de Janeiro.

Bilheteria de terça a sábado, das 15h às 21h, e domingo das 15h às 19h. Tel. 21 2537 8053. Capacidade: 160 lugares.

• De 03 de novembro a 25 de fevereiro, de quinta a sábado. às 21h, e domingo às 19h, exceto feriados de Natal, ano novo e carnaval.

Ingressos? R$80 inteira e R$40 meia. À venda na bilheteria do Teatro Poeira ou por meio do site www.tudus.com.br.

Observações: Descontos de meia entrada conforme previstos pela Lei e 20% de desconto do ingresso no valor de inteira para os clientes do Clube Eu sou + Rio

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