Conheça o filho Transexual Bissexual de Marcelo Tas

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Marcelo tas e seu filho luc

O Jornalista e apresentador do CQC, Marcelo Tas, resolveu falar sobre a sua família para a revista “Crescer”, na qual ele também é colunista. Na entrevista ele abordou sobre a orientação sexual e identidade de gênero de seu filho Luc. De coração aberto, filho e pai falaram sem medo sobre as descobertas, as transformações, os desafios, a reação da família e o amor que permeia toda essa história.

Na matéria Luc diz que se assumiu aos 15 anos e como foi esse processo de se descobrir e de contar aos outros. Abordando sobre o processo de aceitação Luc que era chamado de Luiza, conta quando se aceitou quanto pessoa transexual e explica a questão da orientação e da identidade de gênero que são bem distintas.
“Com 15 anos eu contei aos meus pais que eu era bissexual, ou seja, falei para eles sobre a minha orientação sexual. O que ocorreu muito tempo depois, há mais ou menos três anos, foi eu falar para eles que eu também sou transexual (ou simplesmente “trans”), ou seja, que eu me identifico com um gênero diferente daquele que me designaram quando eu nasci (basicamente, os médicos falaram que eu era uma menina, e eles estavam errados). A orientação sexual de uma pessoa e a identidade de gênero são coisas totalmente distintas, e não possuem qualquer relação de causa e efeito. Assim, por exemplo, há pessoas cis (ou seja, pessoas que não são trans) que são heterossexuais, gays, bissexuais, etc., e há pessoas trans que são gays, bi, hétero, e por aí vai. Ambos os processos pelos quais eu passei – seja sobre minha identidade enquanto pessoa trans seja enquanto bissexual – foram processos longos de autodescobrimento, e que no final eram sobre minha realização como pessoa, minha autonomia e minha felicidade. Eu (como muita gente, diga-se de passagem) não me encaixo nessa narrativa do “sempre soube”. Foi algo gradual, muitas vezes difícil de aceitar, especialmente sobre eu ser trans, mas que no final me fez uma pessoa muito mais completa.” disse Luc em entrevista a revista “Crescer”.

Marcelo Tas e a família de Luc apoiou sempre o jovem, com suas decisões de se assumir para a sociedade em relação a sua bissexualidade, mas que quando foi se assumir trans o processo foi mais difícil tanto para Luc quanto para a família. Que como conta ele passa por uma transformação grande, aparenta estar perdendo um filho ou uma filha por causa da identidade de gênero e ainda mais quando muda o próprio nome que os pais escolheram.

“Acho que, em muitos casos, demora um pouco para se acostumar e para entender que a sua criança é a mesma, que nada mudou. Que ela só está mais feliz. No meu caso, para os meus pais, foi bem rápido até, mesmo eu estando longe. Hoje em dia eles sempre usam os pronomes certos para se referir a mim (ele/dele, etc.) e o meu nome (Luc). ” Finaliza.Sobre a orientação sexual e de gênero de seu filho Marcelo Tas disse que sempre foi difícil a sociedade aceitar desde os primórdios, mas acredita fazer parte de um novo tipo de pai que aceita e desafia os padrões, além de acolher e tratar com naturalidade. Explica ele que talvez tenha sido por ter vivenciado o período da ditadura. Ele deixa um depoimento pessoal para ajudar os diversos pais de pessoas LGBT de todo o país.

“Uma novidade desse tamanho sempre é surpreendente. Antes de tudo, devemos admitir que independente da orientação – hetero, homo, trans, bi… – a sexualidade é um assunto que desafia e intriga os seres humanos desde que o mundo é mundo. Por outro lado, creio que eu faça parte talvez de uma primeira safra de pais que souberam acolher e tratar com mais naturalidade a questão de forma transparente. A minha geração participou ativamente da transição da ditadura para a democracia no Brasil, que também significava mais liberdade de comportamento. Antes disso, é importante lembrar, qualquer forma de orientação sexual fora do padrão aqui no Brasil era tratada com ignorância e violência. Na verdade, em muitos lugares do país ainda é.Vale deixar claro também que a orientação sexual e a questão de gênero são assuntos absolutamente diferentes. Reconheço na atual geração um comportamento muito tranquilo e natural no que se refere a ambos os assuntos. Mesmo quando me sinto surpreendido por fatos novos demais para mim, procuro cuidar para nunca deixá-los virar um preconceito que me paralise. O desafio fundamental para pais, mães e filhos, independente do que aconteça ao longo da convivência, é o afeto e a sinceridade estarem em dia. Aí todo o resto se resolve.” disse Marcelo Tas.

A entrevista completa poderá ser lida na edição de outubro da revista “Crescer”.

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