Precisamos falar sobre os homossexuais transfóbicos

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Na teoria, o movimento LGBT em geral deveria ser unido, mas como seres humanos vivem com seus preconceitos e discriminações criados por uma cultura extremamente preconceituosa. Há vários casos de discriminações vindas até mesmo daqueles que já sofreram bastante com os preconceitos. Porém um tipo de fobia tem se tornado um verdadeiro problema dentro do meio LGBT.

Alguns homossexuais tem discriminado muitas travestis e transexuais,  ainda utilizando o termo “traveco” para brincadeiras e quando são chamados atenção por alguém dizendo que isso não chega a ser transfobia, alegam ser apenas uma brincadeira e que isso não é nada demais. Mas sabemos que contribui para a exclusão de travestis e transexuais diariamente.

Desconhecimento

A maior parte do preconceito desses homossexuais é a falta de informações acerca de travestis e transexuais, além disso, a falta de interesse em querer saber mais e aprender sobre pessoas transexuais é algo que contribui com a discriminação existente dentro do meio LGBT.

Todo homossexual pode se colocar no lugar de uma transexual, sair do seu mundo e imaginar um pouco como é a vida de uma pessoa que nasce com uma identidade que lhe foi imposta ao nascer, mas que não representa a sua verdadeira identidade. Brincar de peão quando queria estar brincando de boneca, usar calça quando deveria estar utilizando uma saia. Se olhar no espelho e se odiar diariamente por não ser quem almeja.

A vida de uma pessoa transexual não é entendida pela sociedade machista, LGBTfóbica e patriarcal. E sofrer ainda discriminação dos seus companheiros LGBT torna a vida de uma pessoa transexual ainda mais difícil, as mulheres transexuais são vistas como gays afeminados e os homens transexuais são confundidos com as lésbicas mais masculinas.

Transfobia de banheiro

Em março desse ano foi publicada no Diário Oficial da União a Resolução do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD/LGBT) órgão vinculado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que aborda estudantes transexuais e segundo o documento agora estudantes poderão escolher se vão usar o banheiro masculino ou feminino e o tipo de uniforme escolar (masculino ou feminino) de acordo com a sua identidade de gênero. Poderão ainda ter o nome social com o qual se identifica inserido em todos os processos administrativos da vida escolar, como matrícula, boletins, registro de frequência e provas.

A resolução não tem força de lei, mas orienta e vale como recomendação. Muitos não sabem mais na maioria do país a resolução foi retirada da pauta da educação por políticos fundamentalistas, com apoio de pastoral da família e conselhos de igrejas. Essa resolução é um grande avanço para as pessoas transexuais , que iria mudar muito a realidade delas nas escola de todo o país, porém poucos são os que estão juntos nessa luta, e que queiram lutar pelos direitos dos socialmente excluídos.

A grande diferença do Brasil para os Estados Unidos é que em nosso país ainda tem muito a se lutar pelos direitos de gays, lésbicas e bissexuais, nos Estados Unidos a maioria dos estados já asseguram diversos direitos. No país onde Obama é o presidente, a grande luta dos direitos é das pessoas transexuais que sofrem diariamente a exclusão dentro e fora do meio LGBT.

Costuma-se dizer que o movimento é GGGG, pois os gays tem ganhado mais visibilidade e conquistado bem mais direitos que os outros componentes da sigla, as lésbicas ainda sofrem com o machismo, os bissexuais com a invisibilidade e a falta de entendimento dos demais, mas as pessoas transexuais são as que mais sofrem com invisibilidade, com exclusão, com desemprego e com falta de atendimento humanizado na área da saúde.

A cruz que mata

Na parada LGBT de São Paulo desse ano, a transexual Viviany Beleboni apareceu crucificada em cima de um trio e causou uma grande discussão nas redes sociais, muitos criticavam por achar que era um deboche contra Jesus Cristo, os pastores políticos também se reuniram na câmara e discutiram o caso alegando ser “cristofobia”.

Todos os anos peças com pessoas vestidas de Jesus Cristo acontecem em todo o Brasil, o movimento negro já colocou um negro crucificado para falar o sobre o racismo, mas o fato de uma transexual ser crucificada na Parada é algo inimaginável. Inclusive alguns homossexuais e bissexuais criticaram o ato, com diversos argumentos que não tem fundamento algum.

Esses homossexuais entendem que esse confronto com a religião é uma “guerra desnecessária”, mas de cero modo é mais do que necessária, aos poucos as pessoas veem que aqueles que julgam serem os protetores dos direitos da família, do bem e dos bons costumes. Na verdade são os que estão divulgando o ódio, discriminando as demais pessoas e semeando o que de pior tem no mundo, o preconceito.

A realidade é que a transexual Viviany Beleboni sofreu com diversos comentários transfóbicos nas redes sociais, e  diariamente sofre com as ameaças de morte. O Brasil é o país que mais mata pessoas transexuais, o transfeminicídio é uma realidade aqui, apenas no mês de Junho de 2015 foram 8 pessoas trans assassinadas no Brasil. A expectativa de vida das pessoas trans é de 35 anos, frente à média de 74,9 anos dos demais brasileiros (IBGE, 2013).

Se Jesus andava com as minorias, se ele foi crucificado apenas por ser quem é, se ele perdoava ladrões e prostitutas e não tem nenhuma menção de jesus discriminando um homossexual, se a Bíblia pede para não julgar e assassinato também é pecado. Qual o motivo para reclamar de uma transexual interpretando cristo, já que ela poderia morrer do mesmo modo que ele? Qual o motivo dos religiosos não reclamarem da morte dos LGBT se assassinato também é pecado?

A cumplicidade dos religiosos fundamentalistas torna cada vez maior os números de mortes de pessoas LGBT, não é amor que eles pregam é ódio, isso é iniquidade um dos piores pecados segundo a bíblia.

LGBT e o combate a transfobia

Todos os LGBT deveriam não apenas em teoria, mas também na prática se unirem para combater todas as opressões sofridas, estamos vendo a volta de uma inquisição fundamentalista e as bruxas da vez são os LGBT. Na inquisição também se matava quem falasse sobre a religião, não tendo estudado o livro sagrado, hoje em dia com o aumento dos crimes contra LGBT e a pressão das entidades religiosas por vezes apoiando atos LGBTfóbicos fica cada vez mais fácil ver que em um futuro poderemos ter uma guerra declarada entre religião e direitos humanos. Perdendo o respeito total da Constituição Federal e a Bíblia ser considerada  na construção de um novo código de leis.

Recomendamos para os homossexuais e bisexuais transfóbicos que assistam a série “The Pearl of África” sobre a vida de uma transexual de Uganda. (Clique Aqui) que teve seu nome divulgado em um jorna local em um país onde ser homossexual é crime penalizado com a morte.

Quem para a luta acaba perdendo a guerra!!!

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Sobre o Autor

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), assessor de Mídias Sociais em diversas empresas, crítico, político e ativista.

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