Grupo Gay lança primeira história em quadrinhos sobre lésbica de Bangladesh

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Um projeto muito ousado foi criado em Bangladesh, no país onde 4 blogueiros ateus foram agredidos até a morte, e onde a homossexualidade é considerada crime com pena de prisão perpétua, criar um material que aborda a vivência LGBT não parece algo aconselhável. Mas não é o que pensa o grupo BOB – Boys of Bangladesh que lançou sua primeira revista em quadrinhos com uma personagem lésbica como personagem principal.

O nome da personagem lésbica é “Dhee”, a palavra bengali significa sabedoria. Na tirinha a jovem irá descobrir sua atração por meninas, a medida que a história avança ela se vira para o leitor para se aconselhar sobre as suas escolhas, perguntando se ela deveria se casar com um homem para agradar a sua família e viver a vida infeliz, cometer suicídio ou seguir esse sentimento de amor por mulheres.

“Pensamos em preparar um material de defesa única, atraente e eficaz para falar sobre gênero e sexualidade, criar um personagem cômico foi considerada a melhor solução“, disse Shakhawat Hossain, gerente do projeto da tirinha e membro do BOB, maior organização de direitos gays do país. “Queríamos uma menina da classe média de Bangladesh que é como qualquer outra pessoa, mas ao mesmo também se destaca. Imaginamos Dhee a ser, um personagem experiente e facilmente relacionáveis,” continuou.

 

Dhee tirinha lésbica de Bangladesh

Tirinhas da jovem lésbica Dhee

O intuito dessa tirinha é fortalecer a comunidade LGBT de Bangladesh, criando a esperança que em um futuro próximo o país comece a falar sobre questões LGBT e eventualmente dar um passo positivo em direção a construção de uma sociedade livre de preconceito, estigma ou discriminação.

Bangladesh é um país que tem 160 milhões de habitantes, 90% são muçulmanos e é considerado um país de maioria conservadora. Pessoas LGBT continuam a enfrentar discriminação, na maioria das vezes são forçados a levar uma vida dupla por medo de retaliação ao assumir a sua orientação sexual. Em uma pesquisa realizada em dezembro de 2014, 50% dos participantes LGB disseram que sentiram sua sexualidade entrando em conflito com sua identidade religiosa e disseram temer que sua sexualidade seja exposta, quase 26% dos entrevistados disseram que já foram vítima de discriminação. Segundo revelou o relatório da ONU publicado em junho deste ano há várias histórias de LGBT sendo maltratado pela polícia em Bangladesh, incluindo o caso de uma mulher que teria sido presa por ser lésbica e, em seguida, estuprada enquanto estava sob custódia.

“Não há nenhum discurso público sobre sexualidade e homossexualidade é considerada um pecado grave. É raro que as pessoas LGBT assumam a sua sexualidade,” disse Hossain em entrevista ao site NewsWeek.

Houve algumas melhorias no país, como o lançamento em janeiro de 2014 da primeira revista LGBT do país, chamada de Roopban e o reconhecimento oficial das Hijras como um terceiro sexo. As Hijras são pessoas que nascem com o sexo biológico masculino, mas se identificam com o sexo feminino. Em Bangladesh já existem alguns locais que aceitam e toleram a homossexualidade, mas a maioria do país é extremamente homofóbico, segundo os líderes do BOB.

Os criadores do quadrinho não querem glamorizar a personagem principal, fazendo com que ela fuja dos padrões de beleza típicos, tendo o cabelo encaracolado e usando óculos. A ideia de criar uma personagem feminina, ao invés de um gay, foi por causa dos preconceitos que as mulheres sofrem diariamente no país, por causa do patriarcado, elas são duplamente marginalizadas.

A história em quadrinhos será entregues em eventos gays e seminários, e será usado informações para divulgar assuntos sobre sexualidade e gênero em todo o país em uma série de campanhas. O grupo vai realizar oficinas em que os participantes pré-selecionados de diversos setores da sociedade serão convidados a participar, e os quadrinhos, juntamente com outros materiais serão utilizados para difundir o conhecimento e faíscar conversas sobre gênero e sexualidade.

A história em quadrinhos foi lançada oficialmente no British Council em Dhaka, em um evento com a participação de centenas de pessoas, incluindo ativistas de Bangladesh. No entanto, embora o evento foi aberto a todos, um olho próximo foi mantida em quem chega para assegurar que quaisquer manifestantes conservadores não tivessem acesso.

Abaixo confira uma linda campanha sobre amor entre mulheres.

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