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Graphic novel narra história de jogador de futebol brasileiro que se declara homossexual

“O outro lado da bola” aborda como a homofobia ainda está presente dentro e fora dos campos de futebol

o outro lado da bolaUm craque do futebol e ídolo da seleção resolve se declarar homossexual depois do assassinato de um ex-namorado. Este é o enredo de “O outro lado da bola”, graphic novel que chegou esse mês nas livrarias pela editora Record. Na trama, o protagonista Cris vê sua vida pessoal e sua carreira virarem de ponta cabeça com a reação de colegas, patrocinadores e torcida após a sua “saída do armário”,

“A ideia é mostrar um lado do esporte que existe de fato. E que reflete muito uma realidade do país que acreditamos que precisa mudar. Onde a impunidade sempre existiu, e a paixão pelo futebol sempre a mascarou. Obviamente, existem pessoas e organizações sérias no esporte. Mas outras…”, defendem Alê Braga e Alvaro Campos, que dividem a autoria do livro com o ilustrador Jean Diaz.

Parece impensável que, em pleno 2018, nunca um jogador de futebol no Brasil tenha dito abertamente que é homossexual – algo destacado tanto por André Rizek, na orelha, como por Arnaldo Branco, na apresentação da obra. É aí que reside uma das maiores forças da narrativa de “O outro lado da bola”, que exibe, página após página, o universo preconceituoso e intolerante em que ainda vivemos.

“Os xingamentos usados no estádio, contra adversários e árbitros, sempre foram machistas e relacionados à homossexualidade, e considerados absolutamente normais e corriqueiros. As crianças aprendem a xingar nos estádios, com palavras sempre ligadas à homossexualidade. Se hoje a sociedade recebe o tema de uma forma muito mais natural em diversas áreas profissionais, no futebol a situação parece estar décadas atrasada”, lamentam os autores.

Alê Braga é diretor cinematográfico, roteirista, publicitário e professor. Alvaro Campos escreve para quadrinhos, teatro, TV e cinema e já teve seus filmes premiados no Brasil, França, Bélgica e Espanha. Jean Diaz trabalha para o mercado americano desde 2003 em HQs como Mulher Maravilha (DC), 24hs(IDW), Fall Out (Dark Horse) e Vampirella (Dynamite). Atualmente desenha a revista francesa Prométhée (Soleil).

O livro chega às livrarias em meio ao maior evento de futebol do mundo, a Copa, que esse ano ocorre em um dos países mais homofóbicos do mundo, tendo lei que pune a “propaganda gay” e que crimes contra pessoas LGBTs em nome dos bons costumes ficam impunes.

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