Quem quer ser uma celebridade LGBT?

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Nesses tempos modernos em que vivemos começaram a surgir muitas celebridades LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) por todo o mundo, antigamente era muito difícil um gay ter destaque, e os que conseguiam essa façanha sofriam com a perseguição e a homofobia existente no mundo. Mas e essas novas figuras coloridas que surgem a cada dia e tem milhares de fãs por todo o Brasil, será que ainda sofrem discriminação e preconceito vivendo em uma sociedade onde o preconceito vem de berço e é ensinado como algo natural?

Saiba quais são os riscos em se tornar uma personalidade LGBT famosa:

Perseguição por fanáticos religiosos

Alguns seguidores da religião cristã esquecem do amor ao próximo e promovem o ódio gratuito contra pessoas LGBT em todos os locais, seja na internet ou na rua. Pessoas que julgam e até matam em nome de um Deus que segundo o livro sagrado de sua religião só quer o amor entre os habitantes da terra, esse é um dos principais perigos para uma personalidade famosa do meio LGBT, sofrer o preconceito por conta de uma religião que por vezes nem é a que segue.

“Sofri discriminação em um aeroporto onde algumas mulheres apontaram para mim e disseram ‘olha aquela aberração que estava na TV. Por mais que me incomode, não dá para debater com pessoas sem um pingo de educação e instrução. Devemos nos unir e buscar os direitos que temos e não deixar passar.” Disse Aretuza Lovi, drag queen cantora e dançarina, dona do Hit “Catuaba”.

 

Bolsominions

A exposição e o destaque que tem ganhado os homossexuais nos últimos anos tem deixado muita gente incomodada, com isso surgem políticos que aproveitam-se dos LGBTs para promoverem os seus discursos de ódio, e utilizarem do preconceito das pessoas parar trazer um discurso puritano de querer voltar no tempo baseado nas antigas “tradições”. Esses políticos tem vários seguidores preconceituosos que utilizam discursos machistas, racistas, transfóbicos e homofóbicos em nome de uma ideologia que trará de volta a ditadura, mal sabem eles que na ditadura nem direito a expor esse tipo de opinião eles poderiam.

“A gente recebe mensagens de ódios de perfis fakes em comentários de Youtube com frequência. Tem gente xingando, debochando, usando o nome ou o rosto de algum político opressor ameaçando ‘acabar com a nossa graça em 2018’. Eu só dou risada, fico pensando que das duas uma: ou é uma criança que nem sabe direito o que está falando ou um ser humano tão pequeno e intolerante que nem vale a pena dar ibope.” Disse Glória Groove, drag queen cantora conhecida pelos Hits “Império” e ‘Dona”.

Caso Leonardo Vieira

Não “assumir” a própria sexualidade por medo de destruir sua reputação perder seguidores, perder sua fama e viver sendo julgado e odiado por sua sexualidade é um medo que vários famosos tem e por isso não assumem a própria sexualidade. Leonardo Vieira é um exemplo, por muito tempo viveu preso em um armário colocado pela mídia e quando os rumores vieram  à tona fez questão de assumir, mas outros não tem coragem de enfrentar o mundo como ele fez.

Muitos sabem que nos bastidores da TV tem muitos gays, bissexuais e lésbicas que vivem suas vidas frustradas tendo que esconder quem são, atores e atrizes vivem um personagem o tempo todo, fingindo ser o padrão que a sociedade deseja para alimentar seus egos heteronormativos e preconceituosos. Isso só piora a situação e contribui para o aumento da LGBTfobia no Brasil, quanto mais pessoas famosas assumirem a sua sexualidade, mais a sociedade vai entender que isso é uma realidade e que terá que conviver com ela.

A TV ainda é muito homofóbica, caso Babilônia

As emissoras de televisão ainda tem muito medo em colocar conteúdos que promovam a diversidade sexual em sua programação, seja por medo dos boicotes por parte de fundamentalistas religiosos ou por receio de que a audiência não goste e despenque assim como aconteceu com a novela “babilônia”, que por não ter tanta audiência teve seu enredo alterado e seus episódios reduzidos. Isso tudo por causa do beijo lésbico que aconteceu no primeiro capítulo, onde as atrizes Natália Timberg e Fernanda Montenegro aparecem e dão um “selinho”.

“Sabe o que diziam para nós? Tinha que ter esperado para dar o beijo, não pode chegar e beijar, porque o folhetim tem uma norma a seguir. Mas nós já eramos casadas, nós já vivianos à 40 anos juntas, eramos modernas” disse a atriz Fernanda Montenegro em um evento sobre dramaturgia.

Na televisão também existem pessoas preconceituosas e que adoram julgar e discriminar, muitos acreditam que o meio artístico é menos preconceituoso por conviver com homossexuais, mas isso não é uma verdade absoluta. Alguns tem pensamentos retrógrados que as vezes vem à tona e fica claro o quão preconceituosa essa pessoa é. O que dificulta ainda mais a “Saída do armário” de artistas LGBT.

“O mais difícil de entender eram os nossos colegas, gente experimentada, atores de nome, de grande qualidade, de grande talento. Achavam que tínhamos que respeitar o ‘Código Moral’ do espectador, não pode chegar e beijar, ele tem que entender e ele depois começa a torcer para você beijar. Isso tudo que estou contando parece fora da TV, não, isso é a TV.” Finalizou Fernanda Montenegro

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Amor, Sexo & Respeito 

Programas como o “Amor & Sexo” que abordam temas polêmicos e ousados são vistos como um ataque à moral e aos bons costumes, o programa é exibido à noite e muitos acabam por desligarem suas TVs por acharem aquilo uma pouca vergonha. Mas o programa ensina a conviver com as diferenças, entender os interesses amorosos e fetiches sexuais que muitas pessoas tem.

O “Amor & Sexo” acaba sendo melhor que muitas aulas chatas de escolas sobre diversidade sexual, que vai abordar o ato da fecundação, um espermatozoide e um óvulo fundindo para criar um bebê e perpetuar a espécie. Não somos robôs, criados para  procriar e viver uma vida como os comerciais de margarina, temos direito da liberdade e não a ficar preso em rótulos e isso é abordado o tempo todo no programa da Rede Globo.

Com cenas de beijo gay, mulheres com seios à mostra, fetiches de casais poligâmicos e todos os outros temas interessantes, o programa vem ganhando o respeito do público menos careta, que acaba aprendendo cada vez coisas novas e descobrindo que o mundo não é apenas a bolha em que vivem. Tem muito mais assuntos interessantes que não conhecemos, mas que deveríamos pelo menos ter uma ideia que existe.

Drag Queens ganham destaque na TV e na Internet

Programas como “Rupaul’s Drag Race” ou  “Academia de drags” tem uma importância muito grande, mostram que existem artistas que batalham diariamente para melhorarem e fazerem sucesso com o seu público. Muitas pessoas ainda acreditam que ser drag queen é só se pintar, querer ser igual a uma mulher, querer chamar a atenção. Quando isso não é a realidade, no programa de TV “Rupaul’s Drag Race” podemos ver o esforço que as drag queens americanas tem e como é difícil trabalhar nesse segmento de mercado.

Em “Academia de Drags”, reality show de drag queens transmitido pelo Youtube com apresentação de Silvetty Montilla, podemos ver as dificuldades das drag queens brasileiras,  como baixa remuneração para shows,  dificuldades da aceitação familiar e tantos outros problemas. Um dos mais difíceis é que acreditem em seu trabalho, pois o transformismo no Brasil ainda é tido como uma brincadeira e não é levada a sério como trabalho formal.

Os programas dão visibilidade para que as drag queens exponham seus trabalhos, falem sobre suas vidas pessoas e ganhem fãs que acreditam verdadeiramente no seu trabalho. Dando chance para que outras artistas destaquem-se e criando uma cultura de apoio à cultura drag.

Youtubers LGBT e seus Haters

Ser Youtuber virou uma profissão de respeito e várias pessoas LGBT vem ganhando espaço, alguns não tratam diretamente da temática da diversidade sexual, mas abordam outros diversos temas e fazem questão de assumir a sua sexualidade. Temos como exemplo o Luba que com quase 4 milhões de inscritos no seu canal fala sobre jogos, comidas diferentes e desenhos, sempre assumindo sua orientação sexual e até gravando vídeos com o seu namorado. Outro caso de sucesso é o Federico Devito, ex-colírio da Revista Capricho, que também divulgou a sua sexualidade para o mundo, Federico fala sobre filmes e séries e tem mais de 300 mil inscritos no seu canal do Youtube.

Nesse contexto surgem os Youtubers que preferem trabalhar com a temática LGBT, como os canais do Põe na Roda (Pedro HMC e Nelson Sheep) e o Canal das Bee (Jessica Tauane, Debora Baldin entre outros) que fazem o trabalho de dialogar com o seu público e ensinar sobre o cotidiano das pessoas de uma forma inovadora e lúdica fazendo com que LGBTs aprendam a ser mais politizados e fiquem de olho nas diversas discriminações que vivenciamos.

A Drag Queen Lorelay Fox é um ótimo exemplo de celebridade LGBT no youtube, ela é conhecida por conversar com o seu público sobre a temática LGBT ensinando o respeito e a união entre as mais diversas tribos. Quando questionada sobre sofrer com o preconceito, ela disse não ter muitos haters.

“Tenho poucos haters e acho que por eu ser bem esclarecido a respeito dos preconceitos do mundo, meio que me sinto blindado contra eles”, disse Danilo AKA Lorelay Fox, drag queen youtuber em entrevista para o nosso site em 2016.

Porém, algum tempo atrás o seu canal no Youtube intitulado “Para Tudo” teve uma chuva de comentários raivosos de pessoas que só queriam postar comentários homofóbicos, mas a drag queen contou que não leva tão a sério esses usuários que não querem o diálogo, apenas divulgar o ódio e a discriminação. Abaixo confiram o que ela falou sobre essa situação:

Para finalizar temos que lembrar que infelizmente ainda vivemos em um mundo muito preconceituoso, e devemos ter cuidado com tudo. Porém, também temos que mostrar que existimos, divulgar que nossa forma de amar também é válida, e que o respeito deve ser mútuo. Pois como disse Augustin Fernandez, maquiador e Social Influencer  em uma entrevista para nosso site: “Para quem é homofóbico tanto faz se você é famoso ou anônimo”.

Willamys Guthyers

 

 

 

 

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Sobre o Autor

Willamys Guthyers

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), assessor de Mídias Sociais em diversas empresas, crítico, político e ativista.

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